O mágico, ventríloquo, ator, palhaço, e bonequeiro Hugo Moraes faleceu nesta terça-feira, 22, aos 56 anos, em decorrência de problemas cardiorrespiratórios. O artista sofreu uma parada cardíaca pela manhã e foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva, mas não resistiu.
Uma das figuras mais expressivas da ventriloquia e da mágica para crianças no Brasil, Hugo desenvolveu uma carreira que reuniu ilusionismo, teatro, circo, palhaçaria, artes plásticas e construção de bonecos. Como professor e consultor, também compartilhou sua experiência com diferentes gerações de artistas.
Seu contato com a mágica começou aos 7 anos, depois de ganhar da madrinha um kit de mágicas. Aos 12, já se apresentava em festas infantis e, aos 16, profissionalizou-se. Na juventude, frequentou a loja de mágicas de Toninho, em Copacabana, onde conviveu e aprendeu com nomes como Bob Ricardo, Kassimirus, Professor Rubinil, Big Jones e Mágico Leoni.

Arquivo pessoal
Hugo também estudou teatro e circo. Em 1987, aos 16 anos, foi contratado para interpretar Peter Pan em uma montagem prevista para realizar cem apresentações. No mesmo período, participou de um festival de mágica em Porto Alegre, experiência que considerava um marco em sua formação profissional.
A dedicação ao público infantil tornou-se uma das principais características de seu trabalho. Hugo defendia a expressão “mágica para crianças”, por entender que esse tipo de apresentação exigia preparação, linguagem e cuidado específicos.
No início da década de 1990, entrou no universo da ventriloquia. Estudou com Professor Sander e Bordenovski e, entre 1994 e 1995, viajou ao Paraguai para aprender com Nizugan. Em 1995, começou a pesquisar mecanismos para a construção de bonecos e, em 2004, concluiu Manolito, seu primeiro boneco profissional.
Com o tempo, tornou-se também um reconhecido fabricante de bonecos de ventriloquia, produzindo personagens profissionais sob encomenda. Entre suas criações e apresentações mais conhecidas estão Fuxico, protagonista de esquetes de comédia construídas com trocadilhos e respostas invertidas, além do Palhaço Tuquinha e do Ursinho.

Reprodução da internet
Em 1996, Hugo foi um dos fundadores da Associação de Mágicos do Paraná, a Magipar. Teve participação fundamental na produção do Festival Magipar ao longo de 21 edições e chegou a estampar a capa da Revista Magi, reconhecimento de sua influência na comunidade mágica brasileira. Também esteve ligado ao Vent Fest Brasil, festival dedicado ao ventriloquismo.
Sua trajetória ultrapassou as fronteiras do país. Em 2009, representou o Brasil no Flasoma, realizado no Peru, participando como artista convidado da gala de mágicas para crianças. Ao longo da carreira, esteve em mais de 65 festivais, nos quais se apresentou, ministrou palestras e compartilhou seus conhecimentos.
Em 2014, venceu o Troféu Julio Lipan, sendo reconhecido como o melhor mágico para crianças do Brasil. Em abril de 2018, recebeu uma comenda e o título de Doutor Honoris Causa em cerimônia realizada na OAB do Rio de Janeiro, somando mais uma homenagem à sua trajetória artística e à contribuição prestada à cultura.
Sua paixão pela arte também o levou ao cinema. Hugo participou do filme Uma Família Feliz, ao lado de Grazi Massafera e Reynaldo Gianecchini, sob a direção de José Eduardo Belmonte.

Reprodução da internet
Desde fevereiro de 2023, apresentava-se diariamente no Parque Terra Mágica Florybal, em Canela, na região de Gramado, no Rio Grande do Sul. No local, realizava três espetáculos por dia, além de números de mágica de proximidade, mantendo uma rotina intensa de contato com o público.
Para Hugo, preservar a arte significava também transmitir aquilo que havia aprendido. “A gente tem que compartilhar para que a arte continue”, afirmou em entrevista ao Portal da Mágica, sintetizando uma postura que acompanhou toda a sua carreira.
Hugo Moraes deixa sua companheira, Luciana; os filhos, Leonardo e Mariana; e um neto. Deixa também personagens inesquecíveis, gerações de artistas influenciados por seu trabalho e a lembrança de um mestre que dedicou a vida a provocar risos, surpresa e encantamento.

