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Saiba como se apropriar do legado de Tamariz, o regente maior da mágica

A melhor maneira de um mágico manifestar seu luto e homenagear o “maestro” Juan Tamariz é estudar sua bibliografia.

Há momentos que nos causa a impressão de que o universo conspira com sua série de acasos desordenados para o nascimento de uma figura singular. Singularidade parece uma das muitas palavras elogiosas que podem designar Juan Tamariz. Dentro dessa conspiração universal, quando o fato inevitável da vida acontece, é como se o mundo se entristecesse. Na última terça (18), infelizmente, essa foi a notícia: varinha quebrada, Juan Tamariz.

Juan Tamariz é sem sombra de dúvidas um dos mágicos que mais mudou a história da mágica; seja pela assertividade de um estudo minucioso do método e de tudo que envolve o seu ocultamento (La Via Magica com a teoria das falsas pistas ou a teoria dos véus para citar dois dos numerosos exemplos que poderiam estar aqui), seja pelo desenvolvimento de um pensamento filosófico sólido sobre o que é mágica e o que é o mágico (nesse sentido, El Arco Iris Mágico acredito ser o melhor exemplo). Estamos falando de um pensador, de um criador, de um humorista, de um hispânico que soube jogar com sua identidade por meio da criação de um personagem bufônico absolutamente genial. O bufônico é característica perigosa de se jogar, a chance de se tornar forçado, antinatural ou qualquer coisa do tipo é grande, mas nas mãos de Juan Tamariz é como se cada coisa que ele fizesse respondesse como um músico parte de uma orquestra com o melhor dos regentes em uma peça composta pelo melhor dos compositores. Mas esse regente e este compositor tem um nome: Juan Tamariz.

Reprodução da internet

Se você é mágico e ainda não gastou horas da sua vida vendo vídeos de Tamariz, lendo seus livros, estudando seus VHSs, DVDs, vídeos em plataformas de streaming, já é hora: desconsidere tudo, una-se ao luto da melhor maneira: recomendo começar pelo Los 5 puntos mágicos, livro curto, leitura fácil (apesar da imensa utilidade prática e enorme profundidade teórica). Depois, vá para o La Via Mágica, mas se a preguiça bater, pegue um DVD qualquer e o assista, estude minuciosamente. Partindo de La Via Mágica, se você é de cartomagia, Sinfonia en Mnemonica Mayor é indispensável, mas se você já se garante na técnica, Sonata será no mínimo aventuroso. Se estiver com vontade de inventividades, Magia Verbal é um primor, mas se estiver querendo algo mais light, Magicolor é a pedida. Não se esqueça da sua opera magna (ao menos como se propõe), El Arco-Iris Mágico, mas se você tem dificuldades de ler em língua estrangeira, se esforce no mínimo na parte filosófica do livro, talvez mude sua concepção artística para sempre (se já não  estiver mudado pelo caminho). Se você gostou de Mnemonica, pode ser esclarecedor o set de cinco DVDs chamado Mnemonica Miracles no qual estão filmados a maioria dos efeitos do livro com execuções do gênio, além de mágicas inéditas. Poderia falar mais, mas acredito ter mais de um ano de estudos nesse parágrafo, mas se você é do tipo que lê rápido, será a abertura de todo um universo: e quando se abre um universo, muita coisa vem junto. Acredito ser assim a melhor forma de honrar esse luto, entrando na via mágica dessa sonata que o mestre rege tornando seu nome eterno.

O mundo entristeceu, mas Tamariz sempre será eterno na história, porque a força e o legado que ele nos deixou permanecerá em nós, mágicos, que o manteremos vivo por meio das suas criações. Se o mundo terreno se entristece, o mundo metafísico se alegra com uma nova presença estelar: Juan Tamariz vive, sua varinha não foi quebrada, foi herdada por cada um de nós que insistimos (e, espero, insistiremos) no seu legado.

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