Morreu nesta quarta-feira (26), aos 88 anos, Tabajara Duarte da Silva, conhecido como Mágico Tabajara, figura popular da cena cultural, circense e do ilusionismo em Campo Grande. O artista sofreu um mal súbito na terça-feira, em decorrência das sequelas de acidentes vasculares cerebrais que havia sofrido em janeiro. Nos últimos meses, seu quadro de saúde vinha se agravando.
Tabajara foi um daqueles artistas formados pela tradição viva do circo. Embora fosse graduado em Letras pela UFMS, foi sob a lona que encontrou sua grande paixão e construiu a maior parte de sua história. Começou ainda criança, aos 8 anos de idade, quando vivia com a mãe no Peru. Antes de se tornar mágico, foi contorcionista, equilibrista e trapezista, atravessando diferentes linguagens do universo circense até encontrar no ilusionismo sua marca mais conhecida.
A chegada a Campo Grande aconteceu a convite de um empresário de circo. Veio acompanhado da esposa, Neci do Carmo Araújo, que conheceu em Macapá quando ela ainda trabalhava como cabeleireira. Apaixonado, levou Neci também para o mundo circense. Durante cerca de 10 anos, o casal viveu sob tendas armadas em diferentes pontos da cidade, em uma rotina marcada por apresentações, viagens, montagem de estruturas e a vida nômade típica dos artistas de circo. Mais tarde, Tabajara fixou residência no bairro Oliveira III, onde viveu por mais de três décadas.

Foto: Fernando Antunes
Com forte talento para a autopromoção e uma memória cheia de histórias, Tabajara, que já estava aposentado há pelo menos 10 anos, gostava de falar sobre o que viu, viveu e realizou. Entre os momentos mais marcantes de sua trajetória estão as apresentações em programas de grande audiência nacional, como os de Xuxa e Silvio Santos, na década de 1980.

Sua importância, no entanto, vai além dos palcos e da televisão. Tabajara também foi responsável pela iniciação e formação de outros artistas no circo e no ilusionismo. Um deles foi o ator, ilusionista e diretor de ilusionismo Alício Zimmermann, que lamentou a morte do mestre nas redes sociais. “Meu mestre. Figura inigualável. Obrigado por me ensinar tanto. Que seus shows no céu sejam lotados todos os dias”, escreveu no Instagram.
Nos últimos tempos, Tabajara havia se mudado de Campo Grande para Macapá, onde passou a receber cuidados ao lado das filhas. A mudança aconteceu justamente para que pudesse ser tratado mais de perto pela família.
Tabajara deixa a esposa Neci, cinco filhos, sete netos e nove bisnetos. O sepultamento será realizado nesta quinta-feira (28), em Macapá, no Amapá.
Com sua partida, a mágica brasileira perde uma figura memorável, que pertenceu a uma geração de artistas que aprenderam fazendo, viajaram vivendo e ensinaram pelo exemplo. Um mágico de circo no sentido mais profundo da palavra: daqueles que carregavam no corpo a experiência da lona, no repertório a variedade do espetáculo e na vida a coragem de transformar encanto em ofício.
Com informações do portal Campo Grande News

