Ilusionista brasileiro campeão mundial e artista plástico terá mais de 10 obras integradas ao mítico espaço norte-americano, considerado uma das grandes mecas da mágica mundial
O Adoro Mágica teve o prazer de conversar com Fabrini Crisci, artista plástico e ilusionista premiado que está prestes a se tornar parte permanente do Magic Castle, em Hollywood. Durante a entrevista exclusiva, Fabrini compartilhou detalhes sobre como surgiu esse convite tão especial e o que ele representa em sua vida.
Tudo começou com Randy Pitford, o novo diretor do Magic Castle. “Ele já colecionava minhas obras antes de ser o diretor”, comentou Fabrini. Segundo ele, Pitford, como responsável pelo respeitado clube de mágica, está reorganizando o espaço e desejava algo especial. “Ele quer criar um espaço com as minhas obras. Pode ser uma sala, um corredor, ainda não está definido, mas é um espaço Fabrini”, contou.

O diretor do Magic Castle, Randy Pitford, colecionador de arte. Reprodução/Randy Pitford
O convite, para Fabrini, foi uma verdadeira realização de um sonho de adolescente. Ele relembra que, quando começou a se interessar por mágica aos 15 anos, assistiu a uma série de TV chamada “O Mágico”, estrelada por Bill Bixby. “Na série, o mágico morava no Magic Castle. Foi aí que descobri que esse lugar existia de verdade. Imagina o impacto para um garoto”, lembrou. Apesar de ter recebido convites para se apresentar no Magic Castle no auge de sua carreira, Fabrini explicou que a agenda internacional, com shows na Europa e Japão, fez com que essa oportunidade fosse postergada. “A gente deixou essa história de lado. Agora o convite veio de outra forma, com a arte que estou seguindo hoje”, refletiu o artista.
Para quem é de fora da mágica, talvez seja preciso explicar: o Magic Castle não é apenas um teatro, um clube ou uma atração turística de Hollywood. Para a comunidade mágica internacional, ele ocupa um lugar quase mítico. É um desses espaços em que história, tradição, bastidores e reverência se misturam. Um lugar onde se apresentam grandes nomes, circulam colecionadores, estudiosos, artistas e apaixonados por ilusionismo. Em outras palavras: estar ali é entrar para a história da mágica mundial.
O processo de seleção das obras também foi bastante simbólico. Em janeiro de 2025, Fabrini se desafiou a criar 10 pinturas “mágicas”, sem imaginar o que aconteceria. “Quando comecei a publicar, muitos americanos curtiram. Meu amigo Rudy Coby mostrou para o Randy, e uma semana depois ele queria a série inteira”, revelou. Além disso, Pitford já manifestou o interesse em encomendar novas obras.
Entre as pinturas favoritas de Fabrini, ele citou uma pintura que não fazia parte da série original: dois coelhos amarelos sobre uma cortina vermelha, com a urna do ovo ao fundo. “A Urna do ovo foi a primeira mágica que aprendi. Tem um significado enorme para mim, é um símbolo de nascimento”, disse Fabrini.

“O pequeno teatro das Ilusões”, uma das obras preferidas de Fabrini. Reprodução da internet
O artista também refletiu sobre o impacto cultural de sua obra no Magic Castle. Ele acredita que, apesar do acesso restrito, a exposição é uma forma de perpetuar o amor pela arte mágica e resgatar a história do ilusionismo. “Gostaria que as pessoas entendessem o que eu faço e o nosso papel na história da mágica”, afirmou. No entanto, ele reconhece que, no Brasil, a mágica ainda é muito associada a eventos, enquanto lá fora há mais espaços e mercados, como cabarés e cassinos, onde o ilusionismo é visto como uma arte. “Aqui, corremos atrás do mercado que existe”, ponderou.
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Fabrini construiu uma carreira brilhante como mágico profissional, com início em 1985. Após ganhar o campeonato da FISM – Federação Internacional de Sociedades Mágicas – na Holanda, em 1988, viajou o mundo se apresentando em grandes palcos, até 2021, quando voltou para o Brasil e pausou a carreira, em decorrência da pandemia.
O ilusionista paulistano, atuou nas mais importantes casas de espetáculo, como o Crazy Horse, em Paris, onde trabalhou por 18 anos, Wintergarten em Berlin, MGM em Las Vegas e NGK Osaka, no Japão, entre outros, chegando a se apresentar para a Família Real Britânica. Além do FISM, em seu currículo também estão os prêmios Golden Lion Award, em 1992 e o Golden Mandrake, em 1995. Em meio às viagens, bastidores e momentos de criação, Fabrini começou a registrar em telas o universo que vivia intensamente: o burlesco, o surreal, o mistério, o humor e o sonho, as referências mais presentes em suas obras.
Nas artes plásticas, sua formação foi na Ecole d’art Villiers, em Paris. Suas telas, que transitam pelo universo surrealista pop, explorando a dualidade entre o real e o imaginário, são expostas em galerias no Brasil e na Europa. Em 2005 uma de suas criações virou selo postal no Principado de Mônaco, a pedido do Príncipe Albert II. A marca registrada de suas obras é o desenho de uma joaninha, que costuma adicionar ou até mesmo esconder nas telas. “É um carinho silencioso à minha esposa e uma surpresa para quem observa com atenção”, conta Fabrini.
Além das telas, seu talento visual chegou a estampar baralhos de colecionador em parceria com a marca COPAG. O artista ilustrou as cartas à mão, com telas em tinta a óleo, retratando diferentes vertentes da mágica, da cartomagia ao mentalismo.

Baralho lançado em colaboração com a Copag. Divulgação
Para Fabrini, a conexão entre sua pintura e o ilusionismo é intrínseca. “Coloco na tela o que vivi na carreira como mágico: cabarés, circos, personagens. Muitos deles são seres que eu gostaria de ver em um espetáculo”, contou. Ele acredita que sua exposição no Magic Castle é uma forma de manter viva a mágica em outro suporte.
Ao final, Fabrini destacou a importância de resgatar a história do ilusionismo no Brasil, lembrando que muitos mágicos se formaram em cabarés e boates que já não existem mais. Ele acredita que a exposição pode servir como ponto de interesse, despertando curiosidade sobre os mágicos brasileiros e sua trajetória. “Precisamos resgatar nossa história, temos uma longa tradição”, finalizou.
A exposição permanente com as obras de Fabrini no Magic Castle ainda não tem data exata para inauguração, mas está prevista para o segundo semestre deste ano. Até lá, Fabrini segue produzindo e compartilhando sua arte, agora com a certeza de que suas criações terão um espaço em um dos lugares mais emblemáticos do ilusionismo. “Eu acho que é uma maneira de perpetuar o que vivi, e espero que quem veja sinta essa conexão”, concluiu Fabrini. Assim, a trajetória de um artista que sempre uniu mágica e pintura ganhará uma nova e duradoura casa.

